POR QUE ALGUMAS PESSOAS TEMEM TANTO ASSIM APERTAR O F5 DA PRÓPRIA EXISTÊNCIA?

Por ALFREDO BESSOW

Coluna Asas do Coração


Lembre-se: nem sempre tenho saudade do passado, ainda que por vezes eu sei que ele nos prega peças ao confrontar na memória de alguns naquilo que nos transformamos com aquilo que estes pensavam que nós fôssemos ser.


Por conta das redes sociais eu tenho percebido essa realidade ao voltar a manter contato com pessoas que viveram e fizeram parte da minha vida quando eu tinha meus 20 anos. Como houve o distanciamento, alguns pensam naquele eu que vive na memória delas, como se os anos e a vida não tivessem feito com que eu necessariamente me reinventasse.


Confesso que já desisti de tentar explicar para essas pessoas – algumas delas particularmente queridas, outras apenas imagens esvaecidas de algo que vivi um dia – que ter sido não é prisão que impede o novo ser, as novas formas de ver, perceber, entender a encarar o viver.


Não! Eu não perdi minhas utopias. Diria que, na verdade, os sonhos foram sonhados e vividos em seu tempo e não renascem nem como saudade e nem como pesadelo diante dos dias que vivo.


Fico meio confuso e tento continuar sendo educado, mas como dizer para as pessoas que é possível sim ser aquilo que a gente sempre foi, ainda que por conveniência e mesmo necessidade houve necessidade de ocultar ou então ao menos colocar com uma roupagem onde a verdade real está nas negaças e nos silêncios?


Prefiro observar essa contrariedade das pessoas do que lembrá-las sobre como os fatos e os acontecimentos vão impactando em nossa forma de fazer o enfrentamento das coisas reais no mundo real.


Quando o poeta persa nos ensinou que “tulipas murchas não florescem mais” ele quis dizer exatamente isso: a vida é feita de tulipas (momentos), que podem ser eternizados em fotos ou quadros – mas que não servem para que nos mantenhamos dependentes do seu perfume.


Por isso, a quem me quer preso no passado só tenho uma pergunta: o que fez com que você e a sua vida se mantivessem assim tão iguais ao longo de mais de 40 anos? Me diga, não olhando para mim, mas para si: como foi possível viver tanto tempo sem a ousadia de apertar o F5 ao menos uma vez?

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