PRECISAMOS FALAR SOBRE O RACISMO INFANTIL

Por LIANNA E. DE SOUSA

Coluna Notas Jurídicas

Sempre ouvi falar que educação vem de “berço”, de fato, acredito que sim, mas, o inverso também, ou seja, a falta de educação, o desrespeito, a insensibilidade e o desamor pelo próximo quando presenciado por uma criança, muito certamente será por ela repetido no seu cotidiano e disseminado no seu convívio social, podendo causar danos irreparáveis, tanto na sua vida quanto nas outras crianças que a cercam.


É sabido que vivemos numa sociedade estruturalmente racista, e que muitas das vezes os atos são praticados pelos adultos e replicados pelas crianças.


Mas, a pergunta que não se pode calar é: O que podemos fazer hoje, não amanhã, para mudarmos essa concepção e/ou história!!??? Penso que, em primeiro lugar devemos olhar para nós mesmos, fazendo uma autoanálise crítica, a fim de constatarmos as nossas falhas, as nossas atitudes descabidas e desmedidas, e o que podemos fazer dentro do seio familiar, profissional e em comunidade, para que atos de racismo não sejam espalhados e reproduzidos.


Precisamos ensinar nossos filhos, desde crianças, que o caráter do ser humano não está diretamente ligado à sua cor, sua raça, seu credo, seu status ou ao seu sobrenome.


Necessário que se compreenda que esse racismo velado, transvestido de inocência da criança deve ser reprimido, corrigido e expurgado do pensamento da criança, o quanto antes, para que não se torne um adulto “escroto”.


Acredito que a responsabilidade em combater o racismo é a tríade entre família x escola x sociedade. No sentido de que se crie uma “rede” de proteção, na qual se a família falhar, a escola fará o seu papel de repressora, em último caso, se as duas primeiras não conseguir barrar a proliferação do racismo, que tenhamos uma sociedade educada para coibir atos de racismos proferidos principalmente de criança para criança.


Por fim, não devemos esquecer que a prática de racismo é crime (inafiançável e imprescritível) expressamente previsto no art. 5, XLII, da Constituição Federal do Brasil, e que a nossa missão, como cidadão, é contribuir para que a lei seja efetiva e que nossas crianças cresçam livres do desprezo, da desigualdade, discriminação, hostilidade, segregação e violência.


NÃO É A SUA RAÇA QUE TE FAZ SER SUPERIOR A ALGUÉM, E SIM O SEU CARÁTER.


***

Conheça Lianna E. de Sousa