“QUASE MINISTRO”: A COMÉDIA DAS FRUSTRAÇÕES ÀS PORTAS DO CCBB

Uma mudança de governo é sempre tensa ao extremo em Brasilia. A transição no Centro Cultural Banco do Brasil é um pipocar de emoções, sucedendo-se a frustrações.

A comédia para teatro  “Quase Ministro”, de Machado de Assis nessa hora deveria ser um breviário para uso dos candidatos a cargos de primeiro escalão que se alvoroçam nas portas do  regime que sobe.

O enredo machadiano é este:

Correm boatos de que Luciano Martins é forte candidato a se tornar ministro. De manhã, recebe a visita de seu primo Silveira. Os dois começam a assistir a um cortejo de aproveitadores que vêm à casa de Martins e desejam tirar vantagem de sua suposta nomeação. Primeiro chega José Pacheco, que escreve política, e quer impor suas opiniões ao futuro ministro. Em seguida, Carlos Bastos, poeta presunçoso, que se oferece para cantar a glória de Martins. Depois dele, Mateus, um inventor desconhecido, que deseja vender ao futuro ministro uma invenção de artilharia. Então, chega Luiz Pereira, rico que deseja oferecer um jantar suntuoso a Martins, como afirma fazer com todos os ministros recém-nomeados, com o claro objetivo de conquistar alianças políticas. Por fim, chega Agapito com Müller, o empresário de ópera que deseja trazer companhias estrangeiras para o Brasil. Agapito insiste, pois está apaixonado por uma das cantoras. Martins fica desesperado com todos os personagens inconvenientes e vai para a cidade, deixando-os com seu primo, que os entretém. O deputado volta, finalmente, para desfazer os boatos e dizer que não será nomeado. Todos os aproveitadores fogem, em busca do verdadeiro ministro, para o grande alívio de Martins.

Alguma semelhança com os tempos de hoje?

Nem parece que Machado a escreveu em 1862.

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