QUEM CHANTAGEIA PRECISA DO MEDO E DO SILÊNCIO

Por ALFREDO BESSOW


Uma das estratégias mais recorrentes em toda e qualquer tentativa de chantagem ou de extorsão é a de colocar o alvo em uma situação de fragilidade social e colocando o autor do ato como pessoa interessada, disposta e preocupada em protegê-la e zelar por sua reputação. Se este arcabouço for exitoso, o passo seguinte é a tentativa de colocar o alvo, transformado em vítima, diante de um dilema – assumir a culpa de algo que não fez ou então ir para cima e tratar de repor os fatos conforme aconteceram e dentro de uma realidade onde tudo fique esclarecido. Neste caso, há ainda outro fato a ser considerado: como é se posicionar e denunciar publicamente tal tentativa de crime – uma vez que sempre há o risco de, no conflito de versões, alguém acreditar na fantasia?


Nos últimos tempos têm sido cada vez mais frequentes e crescentes os golpes financeiros envolvendo pessoas mais velhas, supostamente com situação financeira equilibrada – homens e mulheres que tenham perfil nas redes sociais e que possam ser constrangidos. Aos homens a história sempre passa pelo mesmo roteiro básico: alguém entra em contato, adiciona e oferta fotos. No caso das mulheres, a proposta é a construção de um relacionamento e o encanto a partir de uma foto.


Via de regra, o objetivo é o mesmo – ainda que no caso dos homens o que se busca é extorsão financeira pela promessa de evitar o constrangimento social, o chamado assassinato de reputações. Neste caso, o importante é que tenham sido enviadas fotos, os chamados nudes e que a parte interessada seja alguém que se anuncia como menor de idade e que o pai ou a mãe tenham flagrado a conversa no celular. Em relação às mulheres, a trama é mais ardilosa e parte da premissa de estar apaixonado por determinada pessoa e que gostaria de poder visitá-la, mas que encontra e enfrenta dificuldades financeiras e que precisa de uma ajuda, de um empréstimo.


Nos dois casos, os estelionatários contam com a premissa básica de que as vítimas aceitarão a chantagem, para não serem expostos. E é por contarem com essa “certeza” é que eles continuam atuando impunemente.


Mas, afinal de contas: o que fazer? Segundo policiais, advogados, especialistas e estudiosos, o ponto básico é não aceitar, em hipótese alguma, o silêncio. Não há constrangimento maior do que aceitar ser chantageado, pagar o preço e ficar nas mãos de criminosos – porque é um círculo vicioso onde o fruto da extorsão virá fonte de renda. O mesmo em relação a questão das mulheres vítimas de Don Juans virtuais: por mais dolorido que seja, é preciso procurar a polícia e, com o cuidado de preservar a própria sanidade, tornar pública a denúncia.


Volto a dizer: se você estiver sofrendo ameaça de chantagem ou de extorsão, procure a polícia – se você caiu em algum golpe sob a roupagem emocional, procure a polícia.


Lembre-se: quem atua no submundo, sempre evitará a luz.


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