SAIA DO ARMÁRIO

Por PAULO BEZERRA

Coluna Educação para o Consumo

Você trabalha o mês inteiro por diversos motivos, um deles é para pagar contas, as dívidas já feitas, outra é para poder gastar com lazer ou em época de pandemia, poder clicar em comprar...


Quanto do que você recebe no mês, programa para deixar na “caixinha”? Acredito que alguns até pensam em fazer isso, mas quanto chega na hora de remanejar o dinheiro, esquecem. E mês após mês, o esquecimento se repete, mesmo que depois que gastou todo o dinheiro, fique com a consciência pesada.


Infelizmente planejamento não é ponto forte do brasileiro. Somos conhecidos pelo nosso jeitinho. Reis do improviso, ou seja, estamos mais acostumados a lidar com as questões do curto prazo do que pensarmos a longo prazo.


Desde pequeno nos é ensinado assim. Os que recebem mesada, por exemplo, o quantitativo normalmente é para ele gastar com que deseja, sem supervisão ou indicação de como gerenciar. O mesmo ocorre quando algum tio, tia, dá dinheiro de presente. A mensagem normalmente é: torre. Aproveite!


Imagine dar para o seu filho uma caderneta de poupança e vários formulários de depósito para que ele os preencha ao final de cada mês com o que ele fez sobrar? Alguns dirão: você está ensinado seu filho a ser mesquinho, pão-duro. Deixe o menino gastar o dinheiro. Ele é uma criança! O problema é que as crianças crescem, assim como os hábitos e costumes.


Quando você se esforça e guarda um determinado valor com foco em alguma compra à vista e realiza o seu desejo, seus amigos e familiares dirão que você é sortudo e que as coisas acontecem com facilidade contigo. Mas ninguém viu seu controle.


Parafraseando o dito popular, O povo só vê as minhas conquistas, mas ninguém vê os sacrifícios que faço!


Imaginemos uma parada do orgulho poupador? Quem quer ser visto no palanque ou trio elétrico dizendo que não é bom gastar, torrar dinheiro, curtir a vida adoidado? Até no trabalho o gastador é poupado, gostou do trocadilho?


Temos compaixão de quem deve e se aparecer uma oportunidade, como hora-extra, viagens (para receber auxílio e diárias) etc, não é improvável que ele seja o escolhido para resolver suas pendências. Isso realmente ajuda? Se duvidar será mais uma forma de enterrá-lo no buraco de endividamento. Fora que o gestor poderá ser considerado injusto e insensível se escolher uma outra pessoa ao invés dele.


Controlar as finanças requer uma luta diária contra as tentações e os palpites. Não confunda sacrifício com privação.


Cuide do seu dinheiro e tenha o prazer de ver sua caixinha levando-o aos lugares que desejou conhecer e a ter a sensação de ter conquistado o que desejava, sem que isso faça-o perder noites de sonho, sem saber como pagar as dívidas.


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