SARNEY NÃO ESCAPAVA DO ÁCIDO HUMOR DE MILLÔR

O jornalista Hélio Fernandes, na batalha diária da crítica política através de suas ferinas notas no Facebook, lamentava outro dia como o Brasil havia se tornado sem graça sem Millôr Fernandes, seu irmão, morto há seis anos. Ddesenhista, humorista, dramaturgo, eescritor, tradutor, jornalista (quanto mais qualificações aparecesse, teria incorporado em nome do espírito) teria completado 95 anos.

Da sua fulminante inteligência muitos se dão conta ainda hoje, sobretudo as vítimas do humor caricatural de seu lápis.

Uma delas, José Sarney, preferido de Millôr em charges ferinas por causa do jaquetão e do bigode. No qudradinho diário no velho JB, era uma pauleira constante, que se estendia aos livros escritos pelo então presidente.

Quando o jornalista Carlos Castello Branco embarcou para Cleveland nos Estados Unidos para delicado tratamento médico, foi levado ao embarque no Aeroporto do Galeão por ruidoso bando dew amigos convocado por José Aparecido de Oliveira, compartilhou na sala VIP da Varig o que poderia ser a última visão de Castelinho vivo.

Chamado o voo, Aparecido conduziu Castello para dentro do avião, enquanto a multidão de amigos seguiu, contrita e reverencial os passos lentos da dupla ao longo do “finger”.

Foi quando Millôr sapecou um grito:

– Castello, agora você não pode mentir. Confesse. Você já leu algum livro do Zé Sarney?

Castellinho parou, virou-se lentamente em direção a Millôr e disse com voz extremamente baixa (ampliada por Aparecido):

– Li! E gostei!

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