Senado é a chave

Atualizado: Fev 17

Por LEONARDO MOTA NETO

(in memorian)


1) Mais do que uma bancada majoritária na Câmara, o Governo Sarney está traçando a estratégia de obter maioria no Senado, para ter a certeza de que a Casa revisora possa servir de barreira a eventuais delírios reformistas que os deputados federais alimentem. Uma Casa jovem, com um índice de 60% de renovação de seus quadros, conforme está sendo previsto, poderia, numa atitude de afirmação política, partir para a aceleração de reformas que não podem ser sustentadas pelo Poder Executivo.


2) A preocupação de Sarney é que se reelejam senadores considerados chaves para a manutenção do clima equilibrado no Senado. E que se elejam, para o primeiro mandato, alguns outros candidatos que gozam da confiança do Presidente de seu esquema de forças, como os ex-governadores Hugo Napoleão, Roberto Magalhães, José Richa, Divaldo Suruagy, José Agripino, Wilson Martins e o próprio Wilson Braga. Esses serão os esteios da política defensiva do Governo, junto aos que obterão sua reeleição. E farão também a política ofensiva, entrando de cabeça nas brigas que o Governo Federal vai ter que enfrentar nos próximos quatro anos contra os candidatos à sucessão presidencial que não rezam pela cartilha da atual situação política.


3) O Senado é tão importante para essa estratégia que o próprio Presidente deverá operar suas táticas pessoalmente. Assim, estará prestigiando alguns senadores na sua batalha pela difícil reeleição. Sarney dispõe de inúmeros amigos no Senado Federal, sua última Casa, e lá dispõe de um lastro inegável de apoio regado pela amizade e participação em articulações complexas. É de lá que procurará consolidar a base de sustentação de seu Governo, não importando de que partidos obterá essa maioria fundamental, para corrigir possíveis desvios institucionais a serem praticados por uma Câmara desatada e desabrida.


4) Muitos amigos de Sarney não estarão nessa jornada do Senado: Pedro Simon deverá disputar o Governo gaúcho. Nelson Carneiro, o carioca. Itamar Franco disputa o Governo de Minas. Humberto Lucena chegará na próxima terça-feira a Brasília, sendo aguardado com uma recepção-monstro, na qualidade de candidato a governador, para realizar um antigo sonho, desta vez viável desde sua aliança com Tarcísio Buriti. Guilherme Palmeira deverá disputar o Governo de Alagoas. E outros por mera opção pessoal, abandonando a carreira política, como José Fragelli, um dos esteios da ascensão de Sarney ao poder na tensa madrugada de 15 de março de 85. Daí sua disposição de lutar pela eleição de outros que têm sua reeleição na conta de duvidosa: João Calmon, Carlos Alberto, Fernando Henrique Cardoso, entre outros.


5) PL com Ibope de 89%: Recorde

O deputado Álvaro Valle recebeu do Ibope a confirmação da audiência do programa nacional do PL, em rede nacional: começou com 63% e terminou com 89% de audiência. O maior Ibope de todos os programas dos partidos.


*Publicado no Correio Braziliense em 18 de maio de 1986

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