SOBRE A CRIANÇA E OS MONSTROS

Por ANDRE R. COSTA OLIVEIRA

Coluna Sapere Aude


É um monstro o abusador sexual que engravidou uma criança de 10 anos de idade, e que já vinha sendo estuprada há mais de 4 anos.


É um monstro o comportamento de Dom Walmor, atual presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB quando condena o procedimento de aborto desconsiderando o trauma físico, psicológico e emocional dessa criança violentada. Tudo bem que a proibição do aborto é um dogma católico. Só que Dom Valmor deveria estar mais preocupado com a série de abusos sexuais cometidos diariamente em suas igrejas, e com a conivência omissa de sacerdotes superiores. Aliás, isso vale para qualquer igreja. A única coisa boa durante a pandemia do COVID-19 foi que todas permaneceram fechadas por vários meses e ninguém sentiu a menor falta delas.


É um mostro a tal da Sara Winter que, a fim de fazer política, teve o descaramento de divulgar o nome da criança estuprada em suas redes sociais. Também é um monstro acéfalo cada um dos seguidores dessa Sara Winter, criatura ignóbil, degenerada.


É um monstro o cidadão que, demonstrando ignorância profunda, desconhece o fato de que, à luz da legislação brasileira vigente, a prática do aborto é autorizada em casos de estupro, de perigo iminente à saúde da gestante e, mais recentemente, nas hipóteses de fetos com anencefalia.


É um monstro quem gritou histericamente em frente ao hospital no qual a criança estuprada ainda se encontra internada, tal qual um animal selvagem, berrando e agindo sob a bandeira da moralidade mas que, na verdade, vive na maior e na mais profunda hipocrisia.


Eu desejo sorte a essa criança, e desejo que ela jamais encontre novamente monstros pelo caminho - muito embora; num país como o nosso, monstros andam pelas ruas, à solta, frequentando as rodas sociais mais variadas.


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