SUA PROFISSÃO TE MODIFICA

Por BENTO CRUZ

Coluna Histórias de um Velho Marinheiro

Cada profissão acaba criando seu próprio linguajar. Com a Marinha não é diferente. Uma das mais comuns é “safo” que quer dizer que está tudo certo. Deu-se jeito. Já “fazer guerra” é implicar, brincar, zoar.


O “tô na onça” equivale ao "estou no sacrifício". Estar na “rosca fina” é estar no aperto, na pressão do chefe. “Sair no Pulo” é sair escondido. “Baixar a terra” é sair do quartel ou navio. 


“Cova da onça” é lugar onde os fuzileiros tomam banho, se arrumam, e dar “soco no sereno” é passar a noite fora, preferencialmente acompanhados. 


“Comer o morto” é alimentar-se da sobra do almoço ou do jantar.


Um fuzileiro naval ao conversar com outro, entenderia com tranquilamente a frase:


"Passei na cova da onça, tomei um banho, troquei de roupa, comi o morto, falei com um rosca fina, para baixar a terra, mas tive que sair no pulo."


Seja qual for a profissão, ela cria sua própria “língua” e ao longo do tempo vai modificando uma pessoa, seja no que ela pensa, age, se veste, acredita, ler ou fala.


Escolher uma profissão é também escolher como será por ela influenciado. Eu, aos oitenta e oito anos, nunca perdi o hábito de fazer exercícios físicos, em parte, por gostar, e por eles fazerem parte da profissão que escolhi.


Passei mais de trinta anos fazendo exercícios de forma contínua, resultado: tornou-se algo que faz parte de mim, mesmo em períodos em que estou com a capacidade locomotiva reduzida.


Você pode mudar um ambiente de trabalho, criar novas normas e regras em uma organização, mas esta também irá te modificar e como “não andam dois de jugo desigual” dificilmente uma pessoa suportará exercer uma profissão, por muito tempo, sem aprender, e até incorporará as habilidades e atitudes que fazem parte dela.


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