Um dia que ficou na história

Atualizado: 17 de Fev de 2020

Por CÉLIA LADEIRA MOTA

Dia 27 de janeiro de 1945.


Um grupo de soldados soviéticos se aproxima dos portões de ferro do campo de concentração de Auschwitz, em território polonês. Encima da entrada, os dizeres criavam confusão: “o trabalho liberta”.


A que trabalho se referiam as autoridades nazistas?


Os prisioneiros que chegavam transportados em trens se iludiam. Amontoados em trens sem janelas, banheiros, sem comida, os prisioneiros, em sua maioria judeus poloneses e de outras partes da Europa, viviam por instantes a ilusão de terem chegado a uma fábrica. A liberdade, porém, chegava por outros meios.


Como Auschwitz funcionava?


Originalmente, Auschwitz era uma instalação militar no sul polonês. A Alemanha nazista invadiu e ocupou a Polônia em setembro de 1939 e, em maio de 1940, transformou o local em uma prisão para presos políticos. O campo passou a receber prisioneiros que vinham de várias partes da Europa.


Ali, os prisioneiros eram retirados dos vagões e imediatamente divididos entre quem poderia trabalhar e quem deveria ser morto imediatamente. Este grupo era obrigado a tirar a roupa e sentar sob chuveiros. Depois, eram conduzidos às câmaras de gás, onde os mais fracos e idosos eram eliminados.


Em janeiro de 1942, líderes nazistas se encontraram para coordenar a matança em escala industrial. Ao fim da Conferência de Wansee, como ficou conhecida a reunião, eles acertaram qual seria a "solução final para a questão do povo judeu": matar a população judaica inteira na Europa, cerca de 11 milhões de pessoas, a partir do extermínio e do trabalho forçado.


Esta prática durou até o final de 1944, quando o avanço das tropas soviéticas ameaçava chegar à Berlim. Para que as câmaras de gás e os crematórios não fossem descobertos, as autoridades alemãs ordenaram a suspensão das execuções. Determinados a apagar as evidências de seus crimes, os nazistas ordenaram que dezenas de milhares de prisioneiros restantes marchassem para o oeste, para outros campos de concentração, como Bergen-Belsen, Dachau e Sachsenhausen.


Os que estavam doentes demais para andar foram deixados para trás; quem não conseguia acompanhar a marcha era morto.


Chegou o dia 27 de janeiro de 1945.


Nos portões de Auschwitz, os primeiros soldados soviéticos forçaram a entrada no campo de concentração. Mas encontraram apenas alguns milhares de sobreviventes quando entraram no campo, junto com centenas de milhares de roupas e várias toneladas de cabelo humano.

Mais tarde, os soldados lembraram que tiveram que convencer alguns sobreviventes de que os nazistas haviam realmente ido embora. E que a guerra estava chegando ao fim.


Setenta e cinco anos depois, a data volta a ser lembrada na memória de tantos que perderam parentes nos crematórios quanto por todos os que não admitem esquecer os horrores do holocausto.


27 de janeiro é lembrado como o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto.


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