UMA PANDEMIA CHAMADA “FAKE NEWS”

Por ALEANDRO L. ROCHA



Vivemos em um mundo onde tudo parece urgente demais. Tudo acontece de modo muito rápido e é divulgado/encaminhado mais rapidamente ainda. Um perigo! Afinal, a reflexão sobre o conteúdo é mínima (ou inexistente), e os prejuízos para quem recebe falsas verdades podem ser tão nefastos à saúde mental quanto um vírus que se apresenta com faces ainda desconhecidas. Sim! São as fake news, essas informações mentirosas que nos chegam sem hora e sem nenhum compromisso com a responsabilidade da informação, mas certamente cumprindo o objetivo de centenas de milhares de fantasmas que se alimentam do temor de quem acredita nessas facetas da manipulação.


No atual cenário da pandemia, estima-se que nove em cada dez pessoas já receberam alguma informação falsa sobre o novo coronavírus. No Brasil, a exemplo de boa parte do mundo, as pessoas têm lutado para manter o equilíbrio e o mínimo de sanidade mental. Como se não bastasse o desafio no combate à Covid-19, a luta contra o vírus torna-se uma batalha ainda maior, em razão das fake news. Uma pandemia de falsas verdades, que chegam como um vírus que se espalha descontroladamente pelo ar, nos vídeos do YouTube, nas telas do WhatsApp e nas páginas do Facebook, do Instagram e do Twitter, dia e noite.


Mensagens incansavelmente destrutivas, que acarretam desserviços à população, são altamente contagiosas, perturbadoras. Há, também, as mensagens de conteúdo positivo, mas igualmente falsas. Com elas, temos pessoas desinformadas e cada vez mais angustiadas e tristes. Uma onda incontrolável de notícias mentirosas, que exige forças-tarefas para tentar desmenti-las. Esse cenário, que contamina de ansiedade centenas de milhões de pessoas pelo mundo, vêm se estruturando no excesso de informações, que não são, necessariamente, suporte ao conhecimento e à reflexão.


Parece que as pessoas viraram robôs da reprodução de mensagens. São vídeos, áudios e textos “encaminhados” diariamente, mas que, na prática, desencaminham muita gente. A ideia é distribuir as mensagens mais rapidamente possível e para o maior número de pessoas. Não importa a veracidade das informações. Não importa quem as enviou. O objetivo é compartilhá-las.


Neste período de isolamento social, por exemplo, com essa prática impensada de repasse indiscriminado de mensagens, nota-se o aumento da ansiedade, da angústia e até da depressão. As fake news são uma realidade que acentuam as incertezas e as fragilidades das pessoas que hoje precisam isolar-se e, também, daquelas que não podem parar.


Uma pessoa que absorve falsas verdades pode adoecer. E, assim, cada vez mais, os relatos têm sido descritos. É cada vez mais comum dizer: “você viu?”, “isso cura”, “aquilo mata”, “aconteceu com alguém”, “algum lugar”… Por esse caminho, entremeiam-se e se entrelaçam medo e angústia em tanta gente! Infelizmente, a saúde mental e emocional está assim, à prova, sendo bombardeada.


Diante desse mal, faz-se oportuno buscar maior questionamento sobre o conteúdo que se recebe. Para repassar uma mensagem, é preciso lê-la e pensar sobre o conteúdo e a necessidade ou não de repassá-la; é preciso pesquisar fontes seguras, questionar a origem de onde partiram as informações. Mas quem construiu esse hábito? Quem, realmente, questiona a veracidade de uma informação antes de compartilhá-la? A reflexão é pequena; a observação e o senso crítico, infelizmente, menores ainda.


É preciso equilíbrio para manter a saúde mental. Para isso, já é tempo de diminuir a ânsia pelos encaminhamentos habituais de mensagens e aumentar a reflexão sobre o que é recebido e repassado como verdade. O WhatsApp, atendendo apelo da atualidade, tem reagido a essa prática que cresce assustadoramente, como uma pandemia que se enraíza nas relações sociais, limitando o encaminhamento de mensagens de sua plataforma. Organizações internacionais e movimentos sociais, hoje reforçados por muitos profissionais da saúde, que trabalham na linha de frente do combate ao novo coronavírus, já trabalham para aprovar iniciativas que permitam às plataformas digitais, como Facebook e YouTube, por exemplo, alertarem os seus usuários sobre fake news compartilhadas.


É tempo e há tempo de deixarmos de ser pontes de desinformação, das falsas verdades; é tempo de nos preocuparmos com os impactos que informações mentirosas podem gerar em nossas vidas, como indivíduos, e na sociedade. Além do mais, propagar mentiras é crime, assim como gera dúvidas, incertezas, medos, dores e angústias. E, em tempo de pandemia, é fundamental usarmos melhor o nosso tempo, substituindo as fake news por verdadeiras práticas que mantêm a qualidade de vida emocional.


***


#fakenews #instagram #facebook #youtube #whastaspp #twitter #pandemia #covid19 #coronavírus


Conheça o nosso articulista Aleandro L. Rocha a e leia outros artigos de sua autoria: https://www.cartapolis.com/fragmentos