UMA TARDE NO CNBB, LIÇÃO DE EXPECTATIVA E ANGÚSTIA NO OLIMPO

A nomeação de ministros e seus auxiliares pelos presidentes eleitos é historicamente uma festa,  ora um velório. À alegria de uns alterna-se a frustração de outros. É longo o caminho da volta.

Uma tarde nas ante-salas do Centro Cultural Banco do Brasil onde está instalada a transição, converte-se numa aula de sociologia política. Uma lição de maquiavelismo.

Nos imensos salões que separam o mundo cá fora dos que decidem a vida do País lá dentro comprimem-se pessoas nervosas, tensas, ansiosas, chegando e saindo, alguns em grupos ostentando expressões dos que alcançam a Olimpo somente por estarem ali.

Muitos sobraçando pastas, disfarçando currículos, cartas de apresentação.

São 22 mil cargos em disputa. Um mundo em construção.

As moças da bancada de recepcionistas que atendem os visitantes com hora marcada são donas do destino.

Cada telefonema que completam para os coordenadores escondidos em  gabinetes de trabalho atrás da porta principal é acompanhada com angústia.

– “Será que ele vai me receber?”

Um detalhe é que diante da porta do paraíso todos se comportam com extremo silêncio, em atitude de respeito, como se não quisessem compartilhar seu maior segredo – o seu QI (Quem Indica).

Os que saem das salas para tomar o elevador e ir embora com sorriso estampado nas faces são tidos por vitoriosos. Servem como estímulo aos que não foram chamados ainda. Existem os que nunca serão.

É uma cena que revisita Kafka com os que buscam justiça (O Processo) e não encontram, e permanecem mourejando nos degraus de entrada nos tribunais.

É o poder.

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