Vitimização do Endividado

Atualizado: Fev 17

Por PAULO BEZERRA

Entrei no vermelho, e agora?


Este tema me lembra o filme que assisti esta semana. O filme se passa no estouro da bolha imobiliária de 2009 nos Estados Unidos. Ele começa com o assassinato de um dono de uma corretora de imóveis. O motivo do crime foi o comprador sentir-se enganado depois que concluiu a compra de um imóvel.


No filme, além de matar o empresário, ele chama a corretora que trabalhava no local de mentirosa ao descobrir que apesar dela usar aliança, ela era solteira e que o motivo do anel no dedo era porque assim passava uma impressão melhor, o que facilitava a conclusão da venda.


A questão é que apesar dele querer culpar os outros, foi ele quem comprou o imóvel, independentemente do motivo, assim como foi ele quem assinou o papel e é o ÚNICO responsável pela concretização da operação.


Hoje, até mais do que em 2009, temos a nossa disposição informações suficientes para auxiliar qualquer transação. Inclusive esta coluna pode ajudá-lo a fazer escolhas, pois fechando um bom ou mal negócio, depois que assinado, este passa a ser responsabilidade sua e não adianta a culpar o outro por uma escolha.


Se você deu um passo além do que deveria, de cara seu nome será negativado e não mais haverá crédito até que o débito antigo seja liquidado. Quer uma sugestão? Corra ao PROCON, a Defensoria Pública ou outro órgão qualquer e inscreva-se em programas de superindividados.


Às custas de um novo empréstimo seu nome poderá sair da restrição, mas o levará ao vermelho em pouco tempo se a vitimização continuar, ou seja, se nunca assumir o controle dos seus atos e atitudes.


Por que isto? Porque enquanto não encararmos de frente as besteiras que fazemos, tenderemos a sempre procurar culpados e quanto mais tempo levarmos para assumir, nossos erros, mais tempo levaremos para sair do buraco.


Imagine que a sua renda não cubra seus gastos e o leve ao vermelho, sem que haja corte de despesas, a renegociação não será honrada pelo simples fato de não haver saldo para isto.


Cabe apenas a você voltar para o azul, o maior esforço deve ser seu. Quem deve procurar o credor e fazer sacrifício é você. O credor não tem obrigação de ajuda-lo, se ele o faz será exclusivamente por deliberação dele, muitas vezes por considerar a situação de inadimplência.


Quando todo mês sobra um pouquinho, sua caixinha agradece. Então, caso você consiga sair do vermelho, utilize o que sobrar como reserva para o futuro. Nada de pensar que agora que você está livre de dívidas, pode respirar e recuperar o tempo perdido e fazer o que ficou pendente, porque, senão, você irá retornar imediatamente à situação anterior.


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