VIVENDO A GUERRA

Atualizado: Abr 7

Por Miriam Dutra

Desde que começou, em janeiro, esta história do coronavírus, acompanho como jornalista, e damos muitas poucas oportunidades para nossa União Europeia, entrar no nosso teclado.

Hoje eu chorei. Chorei muito!

Depois de 15 dias sem sair de casa, precisava ir à farmácia. Tomo remédios controlados para a fibromialgia.

Liguei para a farmácia que vou sempre e comprovei se os medicamentos estavam disponíveis.

A farmácia está a uns 800 metros da minha casa.

E aconteceu:

Fui parada por um policial. Um garoto.

Me perguntou o que eu estava fazendo na rua.

Expliquei que necessitava medicamentos controlados.

E me encaminhava à farmácia.

Antes de chegar à farmácia, outra patrulha me parou, estou falando de 500mts, perguntando o que fazia na rua.

Mais uma vez expliquei, necessitava medicamentos. Tive que mostrar as receitas, e minha identidade, comprovada pela unidade.

Estou fichada. Sem as receitas receberia uma multa de 600 euros.

Fiquei chocada. Escrevo todos os dias sobre o tema, mas senti o clima de guerra, uma guerra sanitária, econômica e política.

Voltei para casa e chorei muito.

Com certeza era desabafo confinado a mais de uma semana.

A semana mais dura.

Em 24 horas morrem 800 pessoas.

Não há funerária, crematório, para tanta gente.

Os cadáveres estão sendo colocados no palácio de gelo de Madrid, uma pista de patinação.

É muito triste.

Desgarrador também saber que todas estas pessoas morreram sozinhas. Familiares são avisados, por telefone!

E aí você começa a pensar: quando tudo isto vai acabar?

Já são 200 países afetados, em diferentes estágios.

Espanha tem 80 mil infectados, e quase 7 mil mortos.

Todos reconhecem que o governo agiu tarde, mas de que vale ficar acusando um ou outro neste momento.

Os presidentes da Espanha e Itália estão forçando a UNIÃO EUROPEIA a tomar decisões valentes e contundentes, AGORA!

E não ser o paquiderme que sempre foi.

E a partir desta semana só sai de casa, quem trabalha em serviços essências. Estes terão um crachá poder andar na rua.

E todos os dias às 12:00 os sinos vão tocar, além de um minuto de silêncio em homenagem aos mortos.

E vamos fazer também uma oração!

Deixo um poema a todos:


CURAR

Kathleen O'Meara (1869) "E as pessoas ficaram em casa E leram livros e ouviram E descansaram e se exercitaram E fizeram arte e brincaram E aprenderam novas maneiras de ser E pararam E ouviram fundo Alguém meditou Alguém orou Alguém dançou Alguém conheceu sua sombra E as pessoas começaram a pensar de forma diferente E pessoas se curaram E na ausência de pessoas que viviam de maneiras ignorantes, Perigosas, sem sentido e sem coração, Até a Terra começou a se curar E quando o perigo terminou E as pessoas se encontraram Lamentaram pelas pessoas mortas E fizeram novas escolhas E sonharam com novas visões E criaram novos modos de vida E curaram a Terra completamente."


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